31 de julho de 2025
Espaço

Colisão de buracos negros oferece a visão mais nítida já registrada e confirma teorias de Einstein e Hawking

Observação foi tão precisa que os cientistas puderam analisar as “ressonâncias” emitidas pelo novo buraco negro

Por Redação
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Colisão buraco negro - Foto: Aurore Simonnet (SSU/EdEon)/LVK/URI

Astrônomos registraram com detalhes inéditos a colisão de dois buracos negros, revelando novas informações sobre essas estruturas extremas e confirmando antigas previsões feitas por Albert Einstein e Stephen Hawking. O evento, denominado GW250114, foi detectado em janeiro pelo Observatório de Ondas Gravitacionais por Interferômetro Laser (LIGO), localizado nos EUA.

A colisão produziu ondas gravitacionais pequenas distorções no espaço-tempo previstas por Einstein em 1915 que foram captadas pelos instrumentos do LIGO. Essa tecnologia é atualmente a única forma de observar diretamente fusões de buracos negros a partir da Terra.

Embora Einstein acreditasse que essas ondas seriam fracas demais para serem detectadas, elas foram observadas pela primeira vez em 2015. Desde então, mais de 300 fusões já foram registradas, incluindo a mais recente, agora analisada com precisão sem precedentes.

Fusão massiva a 1 bilhão de anos-luz

Segundo o astrofísico Maximiliano Isi, da Universidade de Columbia e do Flatiron Institute, os buracos negros envolvidos tinham entre 30 e 35 vezes a massa do Sol e orbitavam um ao outro em trajetórias quase circulares, a cerca de 1 bilhão de anos-luz da Terra. A fusão resultou em um único buraco negro com cerca de 63 massas solares, girando a 100 rotações por segundo.

A observação foi tão precisa que os cientistas puderam analisar as “ressonâncias” emitidas pelo novo buraco negro vibrações no espaço-tempo semelhantes ao som de um sino e, com isso, testar diretamente a teoria de que buracos negros podem ser descritos apenas por sua massa e rotação. Essa hipótese, conhecida como “Teorema da Calvície” (no-hair theorem), foi proposta por Roy Kerr em 1963 com base na relatividade geral.

Avanço técnico e confirmações teóricas

O aprimoramento dos instrumentos do LIGO e das colaborações internacionais Virgo (Itália) e KAGRA (Japão) foi essencial para a descoberta. Com lasers e espelhos atualizados, o novo sinal foi mais de três vezes mais claro do que a primeira detecção de 2015.

Pela primeira vez, os pesquisadores conseguiram identificar dois modos distintos de ressonância um fundamental e um harmônico no sinal gravitacional, o que permitiu confirmar que o buraco negro formado está de acordo com as previsões matemáticas da relatividade geral.

“É como se tivéssemos batido em um sino e finalmente conseguimos ouvir claramente mais de um tom. E esses tons nos dizem tudo sobre do que o sino ou, neste caso, o buraco negro é feito”, explicou Isi. “Essa é a evidência mais forte até agora de que buracos negros realmente podem ser descritos apenas por sua massa e rotação.”

Implicações para o futuro da física

Essa descoberta representa um marco na astrofísica e na física teórica. Ao validar previsões feitas há décadas, os cientistas ganham novas ferramentas para entender os limites da gravidade, a natureza do espaço-tempo e os mistérios do universo profundo.