Preso há 50 dias, rapper Oruam compõe novo álbum na cela
Rapper preso há quase dois meses no Rio aguarda julgamento de HC no TJ-RJ
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De dentro do Complexo Penitenciário de Gericinó, no Rio de Janeiro, o rapper Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, conhecido como Oruam, de 25 anos, canaliza a angústia do encarceramento em arte. Preso há quase dois meses, o artista está compondo um novo álbum que tematiza sua experiência com o sistema carcerário e a perseguição policial. Os versos são escritos em um caderno sem linhas fornecido por um de seus advogados, tornando-o um dos presos mais famosos do local, a ponto de crianças que visitam pais detidos lhe pedirem autógrafos.
Enquanto compõe, Oruam e sua defesa aguardam a apreciação de um habeas corpus pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ). Seus advogados, incluindo o jurista Nilo Batista, sustentam que a prisão preventiva do cantor é embasada em uma série de inconsistências graves. A acusação principal é de tentativa de homicídio, baseada no arremesso de pedras contra policiais durante a sua prisão, em 22 de julho.
O cerne da controvérsia está na conduta policial durante a operação. A defesa apresentou um vídeo que mostra o delegado Moysés Santana Gomes, da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), agredindo com um soco, um tapa e um chute um dos amigos de Oruam, Pablo Ricardo de Morais. Para a defesa, as pedradas foram uma reação desesperada para interromper essa agressão injustificada, e não uma tentativa de assassinato. "Qual foi o último caso de homicídio por pedrada? O último que eu me lembro está no evangelho", argumentou Nilo Batista.
A defesa enumera uma lista de supostas falhas processuais: perícias inconclusivas sobre uma arma de fogo supostamente vinculada ao rapper, a abertura do inquérito fora da jurisdição adequada e a ausência de qualquer prova concreta de tráfico de drogas ou associação ao tráfico. Eles alegam que Oruam é vítima de uma perseguição pessoal movida pelo delegado Moysés, motivada pela sua fama e por sua filiação – ele é filho de Marcinho VP, líder histórico do Comando Vermelho.
Em resposta, a Polícia Civil do Rio defendeu veementemente a ação de seus agentes. Em nota, afirmou que a equipe foi atacada com pedras primeiro e que o delegado agiu em "legítima defesa" e no "estrito cumprimento do dever legal" para conter uma agressão em andamento. Classificou o vídeo da defesa como um "recorte" que omite o contexto real e inverte a narrativa. A corporação ainda acusou Oruam de manter "vínculos com integrantes do Comando Vermelho" e atuar como "financiador e promotor da narcocultura".