31 de julho de 2025
nova decisão

Trump remove tarifa de 10% sobre celulose brasileira; setor comemora alívio nas exportações para EUA

Decisão do governo americano, que atende a demanda interna por insumos, beneficia gigantes como Suzano e Eldorado e é resultado de intenso trabalho de lobby e diplomacia

Por Redação
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Donald Trump - Foto: Assessoria

Em uma decisão que traz alívio para a balança comercial brasileira, o presidente americano Donald Trump assinou uma ordem executiva na última sexta-feira (5) eliminando a tarifa de 10% sobre as importações de celulose dos Estados Unidos. A medida reverte uma sobretaxa que pesava sobre um dos principais produtos de exportação do Brasil para o mercado americano e que havia impactado significativamente as vendas neste ano.

O setor brasileiro de celulose, que exportou 2,8 milhões de toneladas para os EUA apenas no ano passado – o equivalente a 15% de suas vendas externas totais –, foi diretamente beneficiado. Dados da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos já apontavam uma queda alarmante de 15,2% no valor e 8,5% no volume exportado entre janeiro e maio de 2025, resultado direto da aplicação das tarifas. Com a isenção, espera-se uma retomada rápida desse fluxo comercial.

A isenção concedida por Trump abrange três descrições específicas de celulose, cobrindo mais de 90% do produto que o Brasil envia aos Estados Unidos. É importante notar que a celulose já estava isenta da tarifa maior de 40% aplicada a outros produtos brasileiros e agora fica totalmente livre da chamada "tarifa recíproca" de 10%. No entanto, tarifas sobre outros produtos de madeira, como papéis em geral e painéis, permanecem válidas a 50%.

De acordo com Paulo Hartung, presidente da Ibá (Indústria Brasileira de Árvores), a vitória é fruto de um intenso esforço de diálogo. "Trata-se de uma decisão muito positiva, que partiu do governo americano, acreditamos que muito graças aos esforços de clientes que levam ao governo peculiaridades de produtos e matérias-primas essenciais ao país. Isso reforça a importância do caminho da diplomacia e do diálogo", afirmou. Hartung ainda enfatizou a necessidade de o governo e empresários manterem esses canais abertos.

Nos bastidores, a conquista foi resultado de uma forte mobilização do setor privado. Empresas exportadoras brasileiras, com destaque para as gigantes Suzano e Eldorado Brasil, contrataram escritórios de advocacia e de lobby – atividade regulamentada nos EUA – para pressionar pela revisão da taxa. Eles foram apoiados por clientes americanos, que dependem da celulose importada como insumo crítico para a fabricação de produtos essenciais, como papel higiênico, fraldas descartáveis e lenços umedecidos.

A Suzano, responsável por cerca de 50% das exportações brasileiras de celulose para os EUA e, portanto, a mais impactada pela tarifa, foi uma das grandes beneficiadas. Procurada pela reportagem, a empresa não se manifestou sobre a decisão. A Eldorado Brasil, outra grande exportadora, também optou por não comentar o desfecho, que é visto pelo mercado como um importante trunfo para a recuperação das exportações do setor.