31 de julho de 2025
ESTADOS UNIDOS

Trump planeja enviar tropas a Chicago e NY, gerando protestos e temor de autoritarismo

Proposta de intervenção militar em cidades democratas enfrenta resistência de autoridades locais e especialistas, que alertam para violação de leis e perfilamento racial

Por Redação
Publicado em
Trump ordenou mobilização de militares da Guarda Nacional. - Foto: Reprodução/X/@USNorthernCmd

O presidente norte-americano Donald Trump estende sua estratégia de intervenção militar doméstica além de Washington, D.C., com planos de enviar forças federais para Chicago e Nova York sob a alegação de conter a “violência”. A proposta, no entanto, já enfrenta forte oposição. Na terça-feira (9), moradores de Chicago foram às ruas em protesto, enquanto autoridades locais e especialistas jurídicos alertam para riscos de violações constitucionais e um aumento do autoritarismo.

A situação em Chicago é particularmente tensa. O governo federal lançou recentemente a “Operation Midway Blitz”, uma operação de repressão a imigrantes indocumentados com antecedentes criminais, realizada sem aviso prévio às autoridades locais. A ação resultou em prisões em bairros como Lawndale e em protestos que bloquearam o trânsito no centro da cidade. O prefeito Brandon Johnson e o governador J.B. Pritzker posicionaram-se veementemente contra qualquer intervenção militar, argumentando que não há uma emergência real que justifique a medida e que isso violaria a Constituição.

Um dos maiores obstáculos legais para o plano de Trump é o Posse Comitatus Act, uma lei federal que proíbe o uso das Forças Armadas em funções de polícia interna. Esse argumento já foi usado com sucesso recentemente, quando um juiz federal na Califórnia bloqueou a presença militar em Los Angeles. Especialistas afirmam que o mesmo princípio se aplicaria a Chicago.

Suprema Corte abre caminho para polêmicas detenções

O temor de uma escalada autoritária é amplificado por uma decisão recente da Suprema Corte. Na segunda-feira (8), por maioria de 6 a 3, a Corte liberou agentes federais para retomarem patrulhas migratórias em Los Angeles, permitindo que usem critérios como idioma, aparência e tipo de trabalho para formar “suspeita razoável” — o que críticos classificam como a legalização do perfilamento racial.

Essa decisão alimenta o receio de que a eventual presença de militares nas ruas possa facilitar detenções em massa de imigrantes, integrando-os a operações de imigração e aprofundando uma política de criminalização.

Nova York, uma “cidade santuário” no alvo

Nova York, outra cidade democrata citada por Trump, também está na mira. Conhecida como “cidade santuário” por suas políticas mais brandas em relação a imigrantes sem documentação, ela já sofre pressão de republicanos. O governador do Texas, por exemplo, já enviou ônibus lotados de imigrantes para lá como forma de pressionar o sistema local.

A cidade tornou-se um epicentro das tensões migratórias, com relatos de imigrantes sendo detidos por agentes encapuzados do ICE (Immigration and Customs Enforcement) logo após participarem de audiências de asilo, no caminho para o elevador.

Militarização em Washington serve de modelo

Em Washington, D.C., onde a Guarda Nacional já atua desde 11 de agosto, a justificativa oficial de combate à criminalidade vem acompanhada de ações incomuns para soldados: limpeza de praças, recolhimento de lixo, paisagismo e desmontagem de acampamentos de pessoas em situação de rua. Essas tarefas fazem parte do programa “Safe and Beautiful Task Force”, elogiado pela Casa Branca em coletiva de imprensa.

A presença militar na capital foi estendida até dezembro de 2025, indicando que a estratégia de Trump de usar as forças armadas para questões de ordem pública não é temporária, mas sim um elemento duradouro de sua gestão, cercado de debates sobre legalidade e excesso de poder.