31 de julho de 2025
REDES SOCIAIS

França contém protestos “Bloquons tout” com milhares de detenções e forte aparato policial

Movimento popular nascido nas redes sociais tenta bloquear estradas e serviços, mas esbarra em resposta coordenada do governo; mais de 200 pessoas foram detidas em todo o país

Por Redação
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Protestos na França foram reprimidos: 200 pessoas presas até o momento - Foto: Reprodução/Redes Sociais

Nesta quarta-feira (10), as primeiras ações da mobilização “Bloquons tout” (“Vamos bloquear tudo”) começaram a se espalhar pela França, impulsionadas por insatisfações com reformas previdenciárias, cortes orçamentários e a política do governo Macron. No entanto, a forte presença das forças de segurança — 80 mil policiais e gendarmes mobilizados em todo o país — conteve a maior parte dos protestos, resultando em mais de 200 detenções, sendo 132 apenas na região metropolitana de Paris.

O movimento, horizontal e sem liderança centralizada — reminiscente dos coletes amarelos, mas com participação majoritária de jovens e estudantes —, tentou surpreender com ações de bloqueio em estradas, universidades e infraestruturas de transporte. Ainda assim, a estratégia preventiva da polícia neutralizou a maior parte das iniciativas. Em Marselha, por exemplo, cerca de 200 manifestantes foram impedidos de acessar a rodovia; em Petite Forêt, no norte, um grupo de 30 pessoas foi rapidamente disperso ao bloquear uma rotatória comercial.

Além dos bloqueios, atos de sabotagem foram registrados durante a noite, incluindo a queima de pneus no viaduto de Calix, em Caen, e a obstrução de vias férreas com paletes entre Rennes e Redon. A empresa ferroviária nacional SNCF confirmou que abrirá investigações e tomará medidas judiciais contra os responsáveis.

O ministro do Interior, Bruno Retailleau, acusou a “ala da extrema-esquerda” de ter “sequestrado” a mobilização, embora o movimento também receba apoio de sindicatos como a CGT e a Solidaires, além de setores agrícolas, como a Confederação Camponesa.

Nas universidades, estudantes bloquearam temporariamente o acesso a campi — como o Paul-Sabatier, em Toulouse —, enquanto em Paris, liceais criticavam a gestão educacional do governo. “Bloquear nossa escola é bloquear a Educação Nacional. Isso representa a educação como Macron quer que seja”, declarou Lucia, 17 anos.

Apesar do caráter descentralizado, o movimento reflete um descontentamento amplo com as políticas de austeridade e a percepção de abandono das classes populares. “As pessoas que já se sacrificam no trabalho agora precisam abrir ainda mais mão do próprio bem-estar”, desabafou Chloé, mestranda de 25 anos.