31 de julho de 2025

Lula convoca BRICS contra "tarifaço" dos EUA e defende nova ordem mundial em cúpula

Presidente brasileiro articula bloco para enfrentar protecionismo e reformar comércio global; reunião discute resposta a medidas unilaterais e promove industrialização verde

Por Redação
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Presidente Lula organizou cúpula virtual nesta segunda-feira - Foto: Joédson Alves/Agencia Brasil

Em resposta à nova política de tarifas dos Estados Unidos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva liderou nesta segunda-feira (8) uma cúpula virtual de emergência dos líderes do BRICS. O objetivo central foi coordenar estratégias para ampliar o comércio e a integração financeira entre as nações do bloco, apresentando-o como uma "opção segura" para mitigar os efeitos do protecionismo norte-americano.

Lula criticou duramente as medidas unilaterais, que ele classificou como "chantagem tarifária" e "enterro formal dos princípios do livre-comércio". Em seu discurso, divulgado pelo Palácio do Planalto, o presidente afirmou que a Organização Mundial do Comércio (OMC) está paralisada e que os países do BRICS são vítimas de "práticas comerciais injustificadas e ilegais". Ele defendeu que o bloco, que reúne 40% do PIB global e 26% do comércio internacional, tem a legitimidade para liderar a "refundação do sistema multilateral".

A reunião destacou o papel do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD) como um pilar para diversificar as bases econômicas e financiar projetos estratégicos. Lula enumerou a força do bloco: grandes produtores de energia, 33% das terras agricultáveis, 42% da produção agropecuária global e o potencial para promover uma "industrialização verde" de alta tecnologia que gere emprego e renda. A proposta é usar essa força econômica coletiva para criar alternativas ao sistema dominante, incluindo a substituição do dólar nas trocas comerciais.

O contexto geopolítico foi amplamente discutido. Especialistas avaliam que o "tarifaço" de Donald Trump é uma chantagem política direta contra o BRICS, visto como uma ameaça à hegemonia dos EUA. A cúpula também serviu para articular uma posição comum para a 14ª Conferência Ministerial da OMC no próximo ano e para a 80ª Assembleia Geral da ONU, no fim deste mês, onde o bloco defenderá um "multilateralismo revigorado".

Para além da economia, Lula abordou conflitos globais, expressando preocupação com a presença de navios militares dos EUA no Caribe, próximo à Venezuela, que ele considerou um "fator de tensão incompatível" com a vocação pacífica da América Latina. Ele também condenou a guerra na Ucrânia e o genocídio em Gaza, defendendo a solução pacífica de controvérsias.

Por fim, o presidente brasileiro reforçou o convite a todos os líderes para a COP30, que será realizada em Belém (PA) em 2025. Lula sugeriu a criação de um Conselho de Mudança do Clima na ONU para centralizar esforços fragmentados e argumentou que os combustíveis fósseis podem financiar a transição ecológica, posicionando o BRICS como um ator central também na governança ambiental global.

A cúpula contou com a presença dos líderes da China, Rússia, África do Sul, Egito, Irã, Indonésia, além de representantes da Índia, Etiópia e Emirados Árabes Unidos, demonstrando a crescente influência do bloco expandido na geopolítica mundial.