31 de julho de 2025
negociação

Industriais brasileiros e americanos unem forças em Washington para pressão conjunta contra tarifaço de Trump

Comitiva da CNI busca com parceiros dos EUA reverter tarifas de 50% e ampliar lista de produtos isentos

Por Redação
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CNI - Foto: - Foto: Divulgação

Uma comitiva de industriais brasileiros, liderada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), está nos Estados Unidos para articular com empresários norte-americanos uma ação conjunta de pressão sobre o governo de Donald Trump. O objetivo é reverter as tarifas de 50% impostas aos produtos brasileiros e ampliar a lista de itens isentos do chamado "tarifaço". A missão inclui dirigentes das federações de indústrias de Minas Gerais (FIEMG), Paraná (FIEP), Paraíba (FIEPB), Rio de Janeiro (FIRJAN), Rio Grande do Norte (FIERN), Santa Catarina (FIESC), Goiás (FIEG) e São Paulo (FIESP) .

Flávio Roscoe, presidente da FIEMG, destacou que a articulação com parceiros americanos visa criar um consenso para superar a crise: "Estamos trabalhando juntos para que ambos os governos se sentem à mesa e encontrem uma saída para esse impasse" . A missão em Washington, realizada nesta quinta-feira (4), reuniu aproximadamente 80 empresários brasileiros e 50 norte-americanos, com foco no fortalecimento de sinergias e na mobilização de forças políticas para reduzir as tarifas ou expandir as exceções .

André Rocha, presidente da FIEG, reforçou que as negociações com a Câmara de Comércio Americana (US Chamber) buscam alternativas concretas para minimizar os impactos do tarifaço . Ricardo Alban, presidente da CNI, acrescentou que a iniciativa combate "equívocos de ordem política" entre os países e prioriza argumentos técnicos e comerciais nas discussões .

Contexto das tarifas e resposta brasileira

As tarifas de 50% foram implementadas pelos EUA como parte de uma investigação comercial contra o Brasil, associada a ações geopolíticas amplas, incluindo a tentativa de interferência no julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em resposta, o governo brasileiro lançou o Plano Brasil Soberano em 13 de agosto, com medidas para fortalecer o setor produtivo, proteger empregos e avançar em soluções diplomáticas .

O plano inclui R$ 30 bilhões em linhas de crédito do Fundo Garantidor de Exportações (FGE), com prioridade para empresas mais afetadas pelas tarifas, além de aportes de R$ 4,5 bilhões em fundos garantidores e R$ 5 bilhões para o Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários (Reintegra) . O acesso ao crédito está condicionado à manutenção de empregos, com foco em pequenas e médias empresas.

Impactos e próximos passos

A missão empresarial é vista como crucial para diversificar mercados e reduzir a dependência das exportações brasileiras em relação aos EUA, alinhada ao eixo de diplomacia comercial do Plano Brasil Soberano . Enquanto isso, o governo brasileiro mantém diálogo com setores privados e avança em acordos com outros países, como União Europeia e Canadá, para ampliar oportunidades comerciais.

A articulação entre industriais dos dois países busca não apenas mitigar perdas imediatas, mas também estabelecer bases técnicas para relações comerciais mais estáveis, evitando que disputas geopolíticas continuem a afetar a economia.