STJ afasta governador do Tocantins e primeira-dama por suspeita de desvio de R$ 73 milhões na pandemia
Corte Especial mantém decisão que afasta Wanderley Barbosa e esposa por 6 meses; PF deflagra nova fase da Operação Fames-19 com buscas em gabinetes de deputados
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A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) ratificou nesta quarta-feira (3) o afastamento por seis meses do governador do Tocantins, Wanderley Barbosa, e de sua esposa, Karynne Sotero Campos, secretária estadual, por suposta participação em um esquema de desvio de recursos públicos durante a pandemia. A decisão unânime dos 15 ministros mais antigos do tribunal ocorreu horas após a Polícia Federal (PF) deflagrar a segunda fase da Operação Fames-19, com 51 mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados, incluindo gabinetes de deputados estaduais.
Principais pontos da investigação:
- Suspeita de desvio de R$ 73 milhões em contratos de cestas básicas e frangos congelados;
- Recursos teriam sido lavados via empreendimentos de luxo, compra de gado e gastos pessoais;
- PF aponta prejuízo de R$ 97 milhões aos cofres públicos em 2020-2021;
- Governador alega que contratos foram firmados na gestão anterior (Mauro Carlesse).
O ministro Mauro Campbell, relator do caso, destacou "fartos indícios" de que Barbosa e Karynne comandaram um "esquema sistemático e bem organizado" de desvios, com auxílio de empresários e deputados. Além do afastamento, a corte determinou:
- Proibição de acesso a prédios públicos estaduais;
- Suspensão de 18 empresas investigadas;
- Restrição de contato entre investigados e testemunhas.
Barbosa classificou a decisão como "precipitada" e afirmou que acionará meios jurídicos para reassumir o cargo. A Operação Fames-19 segue apurando o uso de emendas parlamentares e contratos irregulares no período emergencial da COVID-19.