Defesa de Braga Netto ataca delação de Mauro Cid e alega coerção no STF
Advogado do ex-ministro e ex-vice na chapa de Bolsonaro afirma que colaboração premiada é "mentirosa" e pode levar cliente a "morrer na cadeia". Julgamento segue na Primeira Turma
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Em sustentações orais durante o julgamento da suposta trama golpista no Supremo Tribunal Federal (STF), o advogado José Luis Mendes de Oliveira Lima (Juca), defensor do general Walter Braga Netto (ex-ministro da Casa Civil e vice na chapa de Bolsonaro em 2022), acusou a delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid de ser “mentirosa” e fruto de coerção. Segundo Juca, Braga Netto pode ser condenado a “morrer na cadeia” com base em relatos inconsistentes.
O advogado destacou que Mauro Cid – antigo ajudante de ordens de Jair Bolsonaro – teria dado 15 versões diferentes sobre os fatos e só mencionou a suposta entrega de uma sacola com dinheiro para financiar o golpe 15 meses após seu primeiro depoimento. Juca citou áudios publicados pela revista Veja nos quais Cid admitiria ter sido coagido a colaborar:
— Quem falou [sobre coerção] não foi este advogado, foi ele mesmo.
Em resposta à acusação de que Braga Netto recebeu valores em espécie, a defesa argumentou que todas as despesas operacionais do grupo foram pagas com cartão de crédito, não com dinheiro vivo. Juca classificou Cid como “irresponsável” e “artista de péssima qualidade”, e afirmou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) não apresentou provas além do testemunho do delator.
O julgamento na Primeira Turma do STF continua nesta semana, com previsão de encerramento em 12 de setembro. Braga Netto, Bolsonaro e outros seis réus respondem por crimes como tentativa de golpe de Estado e associação criminosa armada, com penas que podem ultrapassar 20 anos de prisão. A defesa do ex-ministro busca invalidar a delação e evitar uma condenação com base no que chama de “narrativa sem provas”.