31 de julho de 2025
HUGO MOTTA

Presidente da Câmara nega ter tratado com Lula sobre cassação de Eduardo Bolsonaro

Hugo Motta (Republicanos-PB) contradiz declaração do Presidente da República e afirma que o tema não foi discutido em seus encontros

Por Redação
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Presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta - Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

Em evento no Recife nesta segunda-feira (1º), o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), negou publicamente que tenha discutido com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a cassação do mandato do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). A negativa contradiz declarações feitas pelo próprio Lula na última sexta-feira (29), quando afirmou à rádio Itatiaia que já havia conversado com Motta sobre a necessidade de cassar o parlamentar, a quem chamou de "o maior traidor da história deste país".

Motta, que afirmou manter "uma ótima relação" com Lula, minimizou o assunto. "Todas as vezes em que nos encontramos, tratamos de diversos assuntos de interesse do país, mas esse especificamente não foi um assunto tratado entre nós. Até porque, quando o presidente da Câmara encontra o presidente da República, existem outras pautas muito mais importantes a serem tratadas", declarou ao jornalista Ricco Viana.

O impasse ocorre enquanto Eduardo Bolsonaro, que está autoexilado nos Estados Unidos, tenta evitar a perda de seu mandato por excesso de faltas. Ele enviou um ofício a Motta pedindo para exercer o mandato à distância, alegando que sua permanência no exterior é forçada devido a "perseguições políticas". Sua licença de 120 dias terminou em 20 de julho, e desde então ele tem faltado às sessões. No entanto, conforme mostrado pela Folha de S.Paulo, o deputado não corre risco de cassação por faltas em 2025, pois a análise desse critério só ocorrerá a partir de março de 2026.

O presidente da Câmara reiterou que o deputará receberá o mesmo tratamento de qualquer outro parlamentar. Motta já encaminhou quatro denúncias contra Eduardo Bolsonaro para o Conselho de Ética e, em entrevistas, tem criticado publicamente a postura do colega, especialmente por articular fora do país medidas que, em sua opinião, trazem danos à economia brasileira.