Nestlé demite CEO global por relacionamento com subordinada e anuncia novo comandante
Laurent Freixe foi afastado por violar código de conduta da empresa; Philipp Navratil, ex-líder da Nespresso, assume com promessa de manter rumo estratégico
Publicado em
A Nestlé demitiu nesta segunda-feira (1º) o CEO global Laurent Freixe após investigação interna confirmar que ele mantinha um relacionamento amoroso com uma funcionária sob sua supervisão direta – violação grave do código de conduta da multinacional. Philipp Navratil, executivo com 24 anos de casa e ex-líder da Nespresso, assume imediatamente o comando da empresa.
A investigação foi conduzida pelo conselho presidido por Paul Bulcke, que classificou a decisão como "difícil, mas necessária". Navratil, que integrava o conselho executivo desde janeiro de 2025, é conhecido por liderar operações em mercados desafiadores como México e Honduras, além de ter gerenciado marcas globais como Nescafé e Starbucks. Em comunicado, ele prometeu "acelerar a criação de valor" sem alterar os planos estratégicos em curso.
E no Brasil? CLT não proíbe, mas empresas podem regular
Enquanto a Nestlé aplica tolerância zero a relacionamentos hierárquicos, a legislação brasileira (CLT) não veda namoros entre colegas – a menos que haja conflito de interesse explícito. Especialistas consultados destacam que a Constituição protege a vida privada, mas empresas podem estabelecer regras de conduta para evitar prejuízos à produtividade ou à imagem institucional.
"Proibir o afeto é inconstitucional, mas é possível evitar que pessoas com vínculo afetivo atuem em posições de subordinação direta", explica a advogada Cristina Pena. Já o advogado Ronaldo Tolentino adverte: "Regulamentar comportamentos fora do ambiente de trabalho pode ser visto como invasão de privacidade".
A Nestlé mantém política global contra relacionamentos que gerem conflito de interesse – padrão seguido por multinacionais mesmo onde a lei local é mais permissiva.