31 de julho de 2025
Pesquisa

Estudo revela que neurônios também usam gordura como combustível

A pesquisa começou com a investigação de um gene associado a uma doença neurológica rara chamada paraplegia espástica, que afeta os movimentos do corpo

Por Redação
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gordura-no-figado-1.webp - Foto: Foto: Getty Images

Por muito tempo, acreditou-se que o cérebro humano dependia exclusivamente da glicose como fonte de energia. Mas uma nova pesquisa da University of Queensland, na Austrália, publicada na revista Nature Metabolism, revela que os neurônios também utilizam gordura como combustível, mostrando que o cérebro é mais "flex" do que se imaginava.

A descoberta pode mudar a forma como entendemos o funcionamento cerebral e até influenciar o desenvolvimento de novos tratamentos para doenças neurológicas.

“As gorduras são, sem dúvida, parte crucial do metabolismo energético dos neurônios e podem ser a chave para reparar funções cerebrais comprometidas”, afirma a bioengenheira Merja Joensuu, líder do estudo.

Como a descoberta aconteceu

A pesquisa começou com a investigação de um gene associado a uma doença neurológica rara chamada paraplegia espástica, que afeta os movimentos do corpo. Quando esse gene falha, o cérebro perde o equilíbrio natural de gorduras, comprometendo a atividade dos neurônios.

Ao analisar esse mecanismo, os cientistas descobriram que os neurônios usam pequenas moléculas de gordura, como os ácidos graxos saturados livres, para gerar energia e se comunicar. Quando essa fonte energética falha, surgem sintomas neurológicos.

Para confirmar a função energética das gorduras, os pesquisadores aplicaram suplementos de ácidos graxos em modelos animais com disfunção cerebral causada pela falha genética. O resultado foi surpreendente: os neurônios recuperaram sua função e níveis normais de energia.

Já o uso de altas doses de glicose, tradicionalmente considerada a principal fonte de energia do cérebro — não apresentou o mesmo efeito, sugerindo que os neurônios podem usar diferentes combustíveis para desempenhar funções distintas.

“Foi uma mudança radical de visão. Descobrimos que neurônios saudáveis não apenas produzem essas gorduras, mas também as utilizam como combustível. Em casos de doenças, é possível restaurar a energia com suplementos específicos”, explica Joensuu.

A descoberta abre caminho para novas abordagens terapêuticas. Segundo os cientistas, o próximo passo será testar a eficácia e segurança desses ácidos graxos ativados em estudos pré-clínicos. Só depois disso poderão ser realizados testes em humanos.

A pesquisa oferece esperança para tratar distúrbios metabólicos cerebrais antes considerados intratáveis, como Alzheimer e outras doenças neurodegenerativas.

“Essa pode ser a peça que faltava para entender doenças debilitantes. Compreender esse combustível alternativo do cérebro pode revolucionar a forma como cuidamos da saúde mental e neurológica”, conclui a pesquisadora.