Em Brasília, mulheres pressionam por igualdade na 5ª Conferência Nacional
A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, aproveitou a ocasião para fazer um alerta sobre as eleições de 2026
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que "o futuro da humanidade é feminino" durante a abertura da 5ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres (5ª CNPM), nesta segunda-feira (29), em Brasília. O evento, que reúne cerca de 4 mil mulheres de diversas regiões do país, tem como lema: "Mais Democracia, Mais Igualdade, Mais Conquistas para Todas".
Em sua fala, Lula homenageou tanto as personalidades históricas quanto as mulheres anônimas que lutam diariamente por um Brasil mais justo e igualitário.
A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, aproveitou a ocasião para fazer um alerta sobre as eleições de 2026. “Vamos votar em mulheres e homens que tenham compromisso com a vida de todas as mulheres deste país”, disse. Ela destacou ainda a importância de combater o machismo e defender o direito das mulheres de serem livres, autônomas e respeitadas.
Mulheres em foco
A cerimônia deu espaço para vozes de diferentes segmentos da sociedade civil, evidenciando a diversidade e os desafios enfrentados pelas mulheres brasileiras. Representante da Marcha das Mulheres Negras, Clátia Vieira anunciou a realização da 2ª Marcha Nacional das Mulheres Negras, em 25 de novembro, e cobrou ações antirracistas urgentes: “É pela vida do povo preto”.
Iyá Sandrali Bueno, do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher, ressaltou a interseccionalidade como um princípio essencial da luta feminista: “Não há democracia possível sem a centralidade das mulheres negras”.
Melissa Vieira, da Marcha das Margaridas, comemorou o retorno da conferência após quase dez anos e destacou a contribuição das mulheres do campo, das águas e das florestas no combate à fome e na produção de alimentos saudáveis.
Josy Kaigang, liderança indígena, pediu mais representatividade dos povos originários nas decisões políticas e reafirmou a luta pela demarcação de terras indígenas e quilombolas. “Seguimos aldeando o Estado e a política”, disse.
Inclusão e representatividade
A ativista Bruna Benevides, mulher trans, defendeu cotas para pessoas trans em concursos e universidades, além da legalização do aborto seguro e políticas de enfrentamento à exploração infantil. “Estamos aqui e não arredaremos o pé”, afirmou.
Janaína Farias, da Articulação Brasileira de Lésbicas, denunciou a ausência de políticas específicas de saúde para mulheres lésbicas e bissexuais, e reforçou: “Nossas vidas não cabem em armários. Seguiremos organizadas e resistentes”.
A 5ª CNPM marca um passo importante na construção coletiva de políticas públicas voltadas para as mulheres, com foco na diversidade, na justiça social e no combate a todas as formas de opressão.