Criança com autismo enfrenta desassistência em Arapiraca; mãe denuncia omissão do município e do estado
Sem assistência na escola municipal e sem acompanhamento neurológico, tratamento do pequeno Ravy passa por regressão
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Ravy, de 10 anos, diagnosticado com autismo nível 3 de suporte, enfrenta graves falhas no acesso à educação e ao tratamento terapêutico em Arapiraca,Agreste de Alagoas. A mãe, Franciane Ferreira, denuncia que a desassistência é resultado da omissão das autoridades estaduais e municipais, agravando a situação de uma criança que antes tinha acompanhamento integral quando residia em São Paulo.
Segundo Franciane, Ravi foi diagnosticado antes dos dois anos de idade e, na capital paulista, recebia apoio escolar especializado, acompanhamento médico constante e terapias regulares. “Ele era laudado. Eu lutei muito por tudo dele”, disse a mãe.
Ao se mudar para Alagoas, Franciane buscou imediatamente escolas e serviços de saúde, mas encontrou um sistema incapaz de atender às necessidades de Ravi. “A escola não tem material didático específico, ele ficava perdido, sem interesse, e eu tinha que buscá-lo mais cedo. A diretoria me chamava para perguntar se ele estava medicado, mas não oferecia nenhum suporte”, relatou.
Ravi é estudante da Escola Fundamental em Tempo Integral Maria Cleonice Barbosa de Almeida, administrada pelo município de Arapiraca.
A primeira cuidadora da escola, responsável pelo acompanhamento personalizado do menino, deixou o cargo sem aviso prévio, e a substituição só ocorreu após intervenção do Conselho Tutelar, não pela própria escola. Franciane afirma que essa desassistência já causa regressão no desenvolvimento de Ravi, que agora perde parte do aprendizado conquistado ao longo dos anos.
O tratamento neurológico e terapêutico, essencial para crianças com autismo nível 3, também está comprometido. Apesar de a medicação estar adequada, Ravi depende de acompanhamento especializado que não é fornecido de forma contínua pelo estado.
A mãe conseguiu consultas apenas com auxílio de familiares, enquanto o Benefício de Prestação Continuada (BPC) não cobre os custos de terapias particulares. “Um salário mínimo dá para quê para uma criança desse nível?”, questionou.

Franciane reforça que o problema é estrutural. “É só eu e ele. Não tenho rede de apoio, não tenho ninguém. Passo de segunda a segunda com ele dentro de casa. É desumano. O governo tem obrigação de oferecer uma rede de apoio completa, mas não oferece”, disse.
Especialistas em educação inclusiva alertam que crianças com autismo nível 3 necessitam de acompanhamento constante, que integre escola, saúde e suporte familiar. Sem isso, o risco de regressão é elevado.
A Francês News entrou em contato com a Prefeitura de Arapiraca e com a Secretaria de Estado da Educação para obter respostas sobre esse caso e aguarda posicionamento.