Barroso deixa presidência do STF após mandato marcado por condenação histórica e ataques bolsonaristas
Barroso será sucedido por Edson Fachin
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O ministro Luís Roberto Barroso encerra nesta segunda-feira (29) seu período à frente do Supremo Tribunal Federal (STF), cargo que ocupou durante o julgamento que resultou na primeira condenação de um ex-presidente da República por golpe de Estado no Brasil. Seu mandato foi marcado por tensões políticas, ataques do bolsonarismo e dois episódios graves: um atentado a bomba em frente ao tribunal e a imposição de sanções dos Estados Unidos contra ministros da corte.
Barroso, que será sucedido por Edson Fachin, não participou diretamente do julgamento da trama golpista – conduzido pela Primeira Turma –, mas esteve presente na sessão que definiu as penas dos envolvidos. Na ocasião, defendeu que o país estava "virando uma página" e encerrando "ciclos do atraso". Sua gestão, no entanto, foi ofuscada em parte pelo protagonismo do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso e principal alvo de críticas de apoiadores de Jair Bolsonaro.
Antes mesmo de assumir a presidência do STF, Barroso já era alvo de Bolsonaro. Declarações suas – como "perdeu, mané", dirigida a bolsonaristas, e "nós derrotamos o bolsonarismo", em evento estudantil – alimentaram pedidos de impeachment e críticas sobre sua imparcialidade. Em entrevista, o ministro reconheceu que a segunda fala foi "infeliz" e inoportuna.
Em meio aos ataques, Barroso tentou reabrir o STF ao público, retirando os gradis em frente ao prédio em um gesto simbólico pela "normalidade democrática". Pouco depois, em novembro de 2024, um homem se explodiu na entrada do tribunal, levando ao reforço da segurança. Em fevereiro de 2025, o governo Trump aplicou sanções a oito ministros, incluindo Barroso e Moraes – episódio que exigiu articulação interna e afetou até familiares de magistrados.