Restrição de celulares nas escolas aumenta atenção em aula para 83% dos alunos, aponta pesquisa
Estudo da Frente Parlamentar da Educação e Stanford também revela queda no bullying virtual, mas aponta aumento do tédio e ansiedade entre estudantes
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Uma pesquisa realizada pela Frente Parlamentar Mista da Educação em parceria com o Lemman Center da Stanford University revelou que 83% dos estudantes brasileiros estão prestando mais atenção nas aulas após a restrição do uso de celulares em ambiente escolar. O estudo, que ouviu mais de 3.300 alunos, professores e gestores entre maio e julho de 2025, mostrou que o impacto foi maior nos anos iniciais do Ensino Fundamental I, onde 88% relataram melhora no foco.
A medida, que entrou em vigor em janeiro de 2025, também trouxe redução no bullying virtual segundo 77% dos gestores e 65% dos professores. No entanto, apenas 41% dos alunos perceberam essa diminuição, indicando uma possível subnotificação ou falta de percepção por parte dos educadores.
Aspectos negativos: tédio e ansiedade
A pesquisa também identificou desafios: 44% dos alunos relataram sentir mais tédio durante o recreio, com índices maiores no Fundamental I (47%) e no turno da manhã (46%). Quase metade dos professores (49%) observou aumento na ansiedade dos estudantes devido à ausência do celular.
Diferenças regionais
O Nordeste apresentou os melhores resultados, com 87% de melhora no ambiente escolar. Já as regiões Centro-Oeste e Sudeste tiveram os menores índices (82%), sugerindo que a eficácia da medida varia conforme o contexto regional.
Especialistas defendem estratégias complementares
Para a presidente do Equidade.info, Claudia Costin, a restrição sozinha não resolve todos os problemas. “A conclusão é que a medida foi positiva, mas as escolas precisam criar alternativas de interação e estratégias específicas para cada idade”, afirmou.
Já o coordenador da pesquisa, Guilherme Lichand, da Stanford, destacou a necessidade de adaptação: “É crucial repensar como a escola se conecta com os alunos, garantindo que a aplicação da lei respeite as particularidades de cada contexto”.
Próximos passos
Os resultados reforçam a importância de políticas educacionais que equilibrem o uso da tecnologia com o bem-estar dos estudantes, promovendo um ambiente mais focando no aprendizado sem abrir mão do desenvolvimento socioemocional.