Planeta ultrapassa sete de nove limites planetários e oceanos entram em situação crítica
O levantamento alerta que, sem controle do aquecimento global, eventos como colapso de ecossistemas e desastres climáticos extremos se tornarão cada vez mais frequentes
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Um novo estudo do Instituto Potsdam para Pesquisa sobre o Impacto Climático (PIK) aponta que a Terra já ultrapassou sete dos nove limites planetários indicadores que medem se o planeta opera em condições seguras para sustentar a vida. A novidade de 2025 é que a acidificação dos oceanos, antes “no limite”, agora integra a lista de processos críticos.
O levantamento alerta que, sem controle do aquecimento global, eventos como colapso de ecossistemas e desastres climáticos extremos se tornarão cada vez mais frequentes. Entre os sete processos já ultrapassados estão:
- Mudanças no uso da terra: Desmatamento e expansão agrícola e urbana estão destruindo habitats naturais e comprometendo funções ecológicas essenciais. A cobertura florestal global caiu para cerca de 59% do nível considerado seguro.
- Mudanças climáticas: O acúmulo de gases de efeito estufa elevou o CO₂ atmosférico para 422 ppm, acima do limite seguro de 350 ppm. Isso intensifica ondas de calor, chuvas extremas e secas.
- Biodiversidade: A perda de espécies e a redução da diversidade genética ameaçam a integridade da biosfera, principalmente em regiões de uso intensivo da terra.
- Ciclos de nitrogênio e fósforo: O uso excessivo de fertilizantes compromete rios, lagos e oceanos, criando zonas mortas e reduzindo o oxigênio disponível.
- Uso de água doce: Cerca de 18% da superfície terrestre enfrenta mudanças significativas no ciclo da água, afetando ecossistemas e sociedades humanas.
- Poluição química: Substâncias como microplásticos e compostos tóxicos se acumulam no ambiente, afetando saúde humana e biodiversidade.
- Acidificação dos oceanos: O aumento da acidez da água do mar prejudica corais, moluscos e outros organismos calcários, comprometendo ecossistemas inteiros. Espécies como os pterópodes já apresentam danos nas conchas.
Os dois limites ainda dentro da zona segura são aerossóis na atmosfera e camada de ozônio, cuja degradação vem sendo controlada por ações internacionais.
Segundo Levke Caesar, co-líder do laboratório de limites planetários do PIK, “o oceano está se tornando mais ácido, os níveis de oxigênio estão caindo e as ondas de calor marinhas estão aumentando, pressionando um sistema vital para estabilizar o planeta”.
O estudo reforça que a Terra está sob pressão extrema e que medidas urgentes são necessárias para reduzir emissões, proteger ecossistemas e garantir a sobrevivência de espécies e comunidades humanas.