Pela primeira vez, Brasil tem mais alunos em cursos a distância do que no ensino presencial
Modalidade EaD representa mais da metade das vagas; cursos tecnológicos são os que mais crescem na última década
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O Brasil alcançou um marco inédito em 2024: o país tem, pela primeira vez, mais de 10,2 milhões de estudantes matriculados no ensino superior. Os dados são do Censo da Educação Superior 2024, divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). O número representa um crescimento de 2,5% em relação a 2023 e um salto de 30,5% na comparação com 2014, refletindo uma expansão consistente do setor.
Um dos dados mais significativos do levantamento é a consolidação do ensino a distância (EaD). Pela primeira vez na história, a modalidade EaD responde por mais da metade (50,7%) do total de matrículas na graduação. Enquanto as vagas a distância cresceram 5,6% no último ano, as matrículas em cursos presenciais registraram uma leve retração de 0,5%. O presidente do Inep, Manuel Palacios, atribuiu a expansão da EaD à capacidade de levar o ensino superior a populações que tradicionalmente tinham menos acesso, como trabalhadores em tempo integral.
Cursos Tecnológicos são os que mais crescem
A análise por grau acadêmico revela uma mudança no perfil da formação superior no país. Embora os cursos de bacharelado ainda sejam majoritários (60% das matrículas), os cursos tecnológicos foram os que apresentaram o crescimento mais expressivo na última década: um aumento de 99,5% entre 2014 e 2024. Em contraste, os bacharelados cresceram 20,4% e as licenciaturas, 17,2% no mesmo período.
A rede privada continua sendo a principal responsável pela oferta de vagas, concentrando 79,8% do total de matrículas e 90% das mais de 2,5 mil instituições de ensino superior do país. Em 2024, mais de 5 milhões de alunos ingressaram na graduação, sendo que 88,5% deles começaram seus estudos em instituições particulares. Pedagogia, Administração e Direito seguem como os cursos com maior número de matrículas e de concluintes.
O censo também aponta mudanças no corpo docente. Na última década, a rede pública registrou um aumento de 14,4% no número de professores, ao passo que a rede privada teve uma redução de 19,5%. A pesquisa detalha que a maioria dos doutores atua na rede pública, enquanto na privada predominam docentes com mestrado, com uma média de idade de 43 anos para a categoria em ambas as redes.