Senadora Dra. Eudócia preside audiência sobre o câncer: doença pode se tornar principal causa de morte no Brasil até 2030
Alerta foi dado sobre o diagnóstico tardio em 70% dos casos; especialistas e senadora defendem agilidade em tratamentos, vacinação e descentralização para reverter cenário alarmante
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O câncer é uma ameaça crescente à saúde dos brasileiros. Com mais de 700 mil novos casos diagnosticados anualmente, a projeção é de que a doença se torne a principal causa de morte no país até 2030, superando as cardiovasculares. Este cenário alarmante foi discutido nesta terça-feira (23) em audiência da Subcomissão Temporária de Prevenção e Tratamento do Câncer do Senado, onde especialistas e parlamentares cobraram ações urgentes para garantir acesso igualitário ao diagnóstico precoce e a terapias avançadas no Sistema Único de Saúde (SUS).
A presidente da subcomissão, senadora Dra. Eudócia (PL-AL), destacou o abismo que separa os pacientes da rede privada daqueles que dependem do SUS. “Graças a terapias inovadoras, o câncer se tornou, na maioria dos casos, uma doença controlável. Para muitos, há cura, desde que o diagnóstico seja precoce. Mas essa não é a realidade que vemos no SUS”, afirmou. A parlamentar criticou a morosidade da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec), que leva em média 180 dias para decidir sobre a incorporação de tratamentos como a imunoterapia. “Nesse prazo, o paciente pode ter falecido ou desenvolvido metástases”, alertou.
Diagnóstico Tardio é Principal Gargalo
Um dos maiores desafios, conforme admitido pelo coordenador-geral da Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer do Ministério da Saúde, José Barreto Cavalheira, é o diagnóstico tardio. Dados do ministério revelam que entre 60% e 70% dos casos no Brasil são identificados em estágios avançados (3 e 4), o que reduz drasticamente as chances de cura. “Em países desenvolvidos, a situação é inversa. Cerca de 30% dos diagnósticos ocorrem nos estágios iniciais. Isso indica onde precisamos trabalhar mais”, comparou Cavalheira.
Ele citou avanços, como um crescimento de 19,5% nas cirurgias oncológicas, mas reconheceu a grave desigualdade regional. “Há pacientes que precisam andar mais de 20 horas para chegar a um aparelho de radioterapia. Isso é inaceitável. Estados como Amapá e Roraima, por exemplo, não têm nenhum aparelho, uma situação que estamos trabalhando para mudar”, explicou, referindo-se a ações previstas no programa Agora Tem Especialistas (MP 1.301/2025).
Vacinação contra HPV é Estratégia Chave de Prevenção
A baixa cobertura vacinal contra o HPV, vírus responsável por 11% dos cânceres em mulheres, foi apontada como uma falha crítica na prevenção. A presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), Angélica Nogueira, defendeu a volta da vacinação nas escolas. “Existem vacinas contra o câncer, gratuitas. Todos os programas de vacinação contra HPV bem-sucedidos no mundo são programas escolares”, afirmou, citando exemplos como Austrália e Reino Unido.
Eduardo Jorge Lima, do Conselho Federal de Medicina (CFM), reforçou o alerta: “Estamos em outubro e a cobertura entre adolescentes de 15 a 19 anos é de apenas 47%. Menos da metade dos adolescentes que deveriam ser protegidos contra o câncer está imunizada”. Ele defendeu a ampliação da faixa etária de vacinação até os 26 anos e a necessidade de levar a imunização para onde a população está.
A subcomissão aprovou a realização de novas audiências para debater temas como o financiamento de pesquisas e ações integradas para reduzir a mortalidade por câncer do colo do útero, indicando que o tema deve permanecer em pauta no Legislativo.