Lula defende soberania na ONU e condena medidas contra o Brasil
Em discurso na Assembleia-Geral, presidente critica "falsos patriotas" e ingerência externa, em referência a ações de Eduardo Bolsonaro nos EUA
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva usou o palco da abertura da 79ª Assembleia-Geral da ONU nesta terça-feira (23) para defender a soberania nacional e condenar o que classificou como "medidas unilaterais e arbitrárias" contra instituições brasileiras. Em discurso contundente, Lula afirmou que "a agressão contra a independência do Poder Judiciário é inaceitável", em clara referência às sanções impostas pelo governo dos EUA contra autoridades brasileiras, incluindo o ministro do STF Alexandre de Moraes.
Lula destacou a condenação histórica do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal como exemplo da solidez das instituições democráticas, afirmando ainda que, pela primeira vez em 525 anos da história do Brasil, um ex-chefe de Estado foi condenado por atentar contra o Estado Democrático de Direito: "Foi investigado, indiciado e julgado. Responsabilizado por seus atos em um processo minucioso. Teve amplo direito de defesa, prerrogativa que as ditaduras negam às suas vítimas". O ex-presidente foi sentenciado a 27 anos e 3 meses de prisão por crimes incluindo tentativa de golpe.
O discurso também fez menção indireta ao deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que está nos Estados Unidos articulando ações contra o governo brasileiro. "Falsos patriotas arquitetam e promovem publicamente ações contra o Brasil", criticou Lula. Na véspera, Eduardo Bolsonaro havia sido denunciado pela Procuradoria-Geral da República por coação, em investigação conduzida pela Polícia Federal. O presidente encerrou reafirmando que "nossa democracia e nossa soberania são inegociáveis".