31 de julho de 2025
AINDA TEM PROCESSO NO CONSELHO DE ÉTICA

Hugo Motta nega indicação de Eduardo Bolsonaro como líder da minoria na Câmara

Manobra da oposição para evitar cassação do deputado, que está nos EUA há meses, foi barrada pelo presidente da Casa; Conselho de Ética pautou processo contra o parlamentar

Por Redação
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Presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta - Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), negou oficialmente nesta terça-feira (23) a indicação do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) para o cargo de líder da minoria. A manobra havia sido articulada pela oposição na semana passada, com o objetivo de substituir a deputada Caroline de Toni (PL-SC) pelo parlamentar, que está nos Estados Unidos desde fevereiro. A estratégia visava aproveitar a flexibilização das regras de faltas para líderes partidários em "missão autorizada" no exterior, tentando assim proteger o mandato de Eduardo, que acumula ausências e riscos de cassação.

A justificativa apresentada por Eduardo Bolsonaro para sua permanência nos EUA é a de que busca sensibilizar o governo do ex-presidente Donald Trump para a aplicação de sanções contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. No entanto, seu período de licença do mandato já expirou, e as faltas consecutivas podem acarretar penalidades. A indicação para a liderança era vista como uma tentativa de regularizar sua situação perante o regimento da Casa.

A decisão de Hugo Motta ocorre no mesmo dia em que o Conselho de Ética da Câmara pautou a abertura de um processo contra Eduardo Bolsonaro por quebra de decoro parlamentar. O pedido, apresentado pela bancada do PT, baseia-se em quatro representações que pedem a cassação do deputado. A ação argumenta que o parlamentar "tem se dedicado de forma reiterada a difamar instituições do Estado brasileiro" e busca "influenciar autoridades do governo estadunidense a imporem sanções contra integrantes do STF". Além disso, na segunda-feira (22), a Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou Eduardo por coação no curso do processo, relacionada a suas ações no exterior.