Jornalista denuncia agressão em delegacia e acusa policiais de forjar prisão em Alagoas
Cleuber Carlos é de Goiás e teria vindo até o estado para investigar um suposto esquema criminoso que envolve agentes de segurança, empresários e políticos alagoanos
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O jornalista Cleuber Carlos afirma ter sido vítima de agressão física, abuso de autoridade e constrangimento ilegal dentro de uma delegacia em Marechal Deodoro (AL). Segundo relato do próprio comunicador, registrado em entrevista e em representações encaminhadas à Corregedoria-Geral da Polícia Civil, ele teria sido preso de forma irregular, colocado em cela e submetido a agressões físicas e psicológicas, inclusive sendo, de acordo com ele, torturado após denunciar suposto esquema criminoso envolvendo policiais, empresários e figuras políticas do estado.
De acordo com Cleuber, a ocorrência teve início quando viaturas da Polícia Civil e da Diretoria Geral de Polícia se dirigiram ao local onde ele estava. O jornalista apura um hipotético esquema de grilagem que envolve a invasão de imóveis, fraudes cartoriais e desvio de função de policiais alagoanos.
Em abril deste ano, o jornalista investigava um desses imóveis, quando flagrou policiais civis invadindo o local. Ele acionou a Policia Militar, que compareceu à ocorrência. Ao chegar na delegacia, no entanto, a prisão dos policiais supostamente envolvidos na invasão do imóvel não foi registrada.
“O delegado Marcos Bartolomeu Albuquerque se recusou a registrar a ocorrência e forjou um documento para me prender preventivamente”, declarou. A alegação dos policiais era de que o jornalista tinha invadido o imóvel.
Em imagens feitas por Cleuber, ele aparece à porta de uma casa na Praia do Saco, em Marechal Deodoro, quando é interpelado por um homem.
Após ser preso, já dentro da cela, o jornalista foi obrigado a fornecer a senha do celular, teve fotos e vídeos apagados, mas conseguiu preservar cópias enviadas previamente a contatos externos.
“Eles ficaram com medo porque não sabiam para quem eu tinha mandado o material”, disse. No dia seguinte, em audiência de custódia, Cleuber afirmou ter relatado as agressões à juíza responsável, que teria determinado a retirada dos policiais da sala por estarem eles próprios citados no depoimento.
As denúncias foram formalizadas em representação encaminhada à Corregedoria-Geral da Polícia Civil, ao Ministério Público de Alagoas (MPAL) e à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Documento oficial confirma a instauração da Investigação Preliminar, assinada pelo corregedor Fabrício Lima do Nascimento, para apuração de crimes como abuso de autoridade, tortura, falsificação de documentos públicos, grilagem de terras e uso da estrutura policial para intimidação.
O Ministério Público e a OAB, segundo o jornalista, ainda não se manifestaram sobre o caso. Já a Corregedoria teria aberto duas frentes de apuração, que seguem em andamento.
As denúncias envolvem também o nome do advogado Daniel Saraiva, sobrinho do secretário de Segurança Pública de Alagoas, Flávio Saraiva. Ele é apontado como responsável por articular, junto a policiais de Marechal Deodoro, um flagrante forjado contra o jornalista.
Procurados, o Ministério Público de Alagoas e a Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP/AL) não se pronunciaram. O espaço segue aberto e a matéria será atualizada assim que um posicionamento dos órgãos for repassado a redação do Portal Francês News.