31 de julho de 2025
projeto cerúmen

Pesquisa brasileira usa cera de ouvido para detectar câncer com precisão

Estudo da UFG, em parparceria com hospital especializado, identificou a doença em 100% dos pacientes em tratamento e apontou casos antes do diagnóstico convencional

Por Redação
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A pesquisa, batizada de Projeto Cerúmen, coletou amostras de 751 voluntários e demonstrou alta precisão na identificação da doença - Foto: Divulgação/Projeto Cercúmen

Um estudo brasileiro desenvolvido há dez anos pela Universidade Federal de Goiás (UFG) está usando a cera de ouvido como ferramenta promissora para o diagnóstico precoce de câncer. A pesquisa, batizada de Projeto Cerúmen, coletou amostras de 751 voluntários e demonstrou alta precisão na identificação da doença.

De acordo com os resultados, o método foi capaz de detectar câncer em 100% dos 531 participantes que já estavam em tratamento oncológico. Mais impressionante: entre 220 pessoas sem diagnóstico prévio, a análise da cera identificou substâncias atípicas em cinco casos – que posteriormente tiveram a presença de tumores confirmada por exames convencionais.

Segundo João Marcos Gonçalves Barbosa, doutor em química envolvido no projeto, o grande valor da descoberta está na possibilidade de ganhar tempo no diagnóstico. “Tempo é um fator crucial. Quanto mais precoce a manifestação oncológica é detectada, maiores são as chances de uma intervenção clínica que leve à remissão completa da doença”, explica.

Idealizado pelo professor Nelson Roberto Antoniosi Filho, o Projeto Cerúmen também tem aplicação promissora para outras condições. “O projeto busca desenvolver abordagens diagnósticas inovadoras utilizando o cerúmen para doenças metabólicas e se encontra em fase de desenvolvimento para doenças neurodegenerativas”, acrescenta o coordenador.

Reconhecimento e impacto social


A pesquisa – realizada em parceria com o Hospital Amaral Carvalho, referência no tratamento de câncer em Jaú (SP) – recebeu menção honrosa no Prêmio Capes de Tese 2025.

Barbosa ressalta que o método pode revolucionar a medicina diagnóstica. “A relevância científica e social é evidente no impacto direto que o método pode ter na saúde da população, com estratégias de diagnóstico precoces e acessíveis para uma das maiores causas de mortalidade do mundo”, destaca.

A iniciativa abre caminho para um futuro exame não invasivo, de baixo custo e capaz de detectar alterações metabólicas relacionadas ao câncer antes mesmo do surgimento de sintomas ou da detecção por métodos tradicionais.