31 de julho de 2025
SÃO PAULO

Multidão de 42 mil toma a Avenida Paulista em protesto nacional contra Anistia e PEC da Blindagem

Ato em São Paulo, um dos maiores entre 33 cidades, reúne de professores a indígenas em defesa da democracia e contra impunidade no Congresso

Por Redação
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42 mil pessoas protestaram em ato contra PEC da Blindagem e anistia - Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Uma multidão de 42,4 mil pessoas, segundo estimativa do Monitor do Debate Político da USP, tomou a Avenida Paulista neste domingo (21) em um dos maiores atos do país contra a anistia aos condenados por tentativa de golpe de Estado e a PEC da Blindagem. O protesto integrou uma onda nacional de manifestações, ocorrendo simultaneamente em 33 cidades, incluindo todas as capitais.

Convocadas por frentes ligadas a PSOL, PT e movimentos populares, as manifestações uniram sindicatos, estudantes, artistas e movimentos sociais como MST e MTST. O coro principal foi a defesa da democracia, a rejeição à impunidade e a exigência da prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, já condenado a 27 anos por crimes como tentativa de golpe e organização criminosa.

A diversidade de vozes na Paulista era notável. Reginaldo Cordeiro, professor universitário de Serviço Social, viajou de fora para participar: “Estamos na luta contra todo o retrocesso do que foi conquistado em 1988. É importante que a juventude entenda o que conquistamos com a Constituição”. Já a professora aposentada Miriam Abramo, de 75 anos, levou seu histórico de resistência: “Votei para presidente pela primeira vez aos 40 anos. Não quero que essa juventude espere tanto para poder escolher seu presidente novamente”.

O ato também teve um caráter de formação cívica. O professor de artes marciais Renato Tambellini levou a filha Luiza, de 12 anos, para que ela compreenda a importância da mobilização popular. “Explico a eles que é preciso se mobilizar, reivindicar direitos. Acredito que finalmente podemos viver um momento histórico com a condenação de golpistas”, disse.

A voz indígena também ecoou forte. Tamikuã Txih, do povo Pataxó da Terra Indígena do Jaraguá, destacou a luta unificada: “Precisamos dizer que não aprovamos a PEC da Blindagem. Não podemos aceitar atrocidades com impunidade. É uma angústia e uma vergonha para o Brasil”. O protesto reforçou a pressão popular sobre o Congresso Nacional, que avança com projetos considerados pelos manifestantes como um grande retrocesso democrático.

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