31 de julho de 2025
SAÚDE

Fiocruz Bahia inicia estudo inédito para prevenir transmissão de HTLV-1 de mãe para filho

Pesquisa testará uso de medicamento contra HIV (dolutegravir) em gestantes infectadas; objetivo é reduzir transmissão vertical do vírus que pode causar leucemia e paralisia

Por Redação
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Pesquisa vai acompanhar 516 gestantes infectadas pelo HTLV-1 - Foto: Fotorech/Pixabay

Pesquisadores da Fiocruz Bahia, em parceria com o Ministério da Saúde, iniciarão um estudo pioneiro para testar a eficácia do medicamento dolutegravir – utilizado no tratamento do HIV – na prevenção da transmissão vertical do vírus HTLV-1 de mãe para filho durante a gestação e o parto. Atualmente, a principal recomendação para gestantes soropositivas é evitar a amamentação, mas aproximadamente 5% das infecções ocorrem antes ou durante o parto, cenário que a pesquisa busca combater.

O HTLV-1 (vírus linfotrópico de células T humanas tipo 1) ataca o sistema imunológico e pode levar ao desenvolvimento de doenças graves como leucemiamielopatia (paralisia parcial dos membros inferiores) e maior susceptibilidade a infecções. A transmissão ocorre principalmente por relações sexuais desprotegidas, compartilhamento de agulhas e de mãe para filho.

O estudo acompanhará 516 gestantes infectadas e seus recém-nascidos até os 18 meses de idade. Parte delas receberá dolutegravir a partir da 24ª semana de gestação até o parto, e os bebês seguirão com a medicação por 28 dias após o nascimento. O grupo de controle seguirá apenas as recomendações atuais, que incluem a não amamentação.

Caso os resultados confirmem a eficácia do dolutegravir, esta será a primeira intervenção farmacológica no mundo capaz de prevenir a transmissão vertical do HTLV-1. A descoberta pode embasar um novo protocolo clínico e auxiliar o Brasil a cumprir a meta da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) de eliminar a transmissão vertical do vírus até 2030. O HTLV-1 possui alta prevalência em regiões como Bahia, Pernambuco e Pará.