Fed reduz juros dos EUA em 0,25 ponto percentual, primeiro corte sob governo Trump
Taxa básica agora está entre 4% e 4,25% ao ano. Decisão do BC americano atende a expectativas do mercado e pressiona Powell, alvo de críticas do presidente
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O Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano) reduziu nesta quarta-feira (17) a taxa básica de juros dos Estados Unidos em 0,25 ponto percentual, após cinco reuniões consecutivas de manutenção. Com o movimento, a taxa passou para o patamar entre 4% e 4,25% ao ano, atendendo às expectativas do mercado e marcando o primeiro corte de juros sob o governo do presidente Donald Trump.
A decisão foi tomada pelo Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) em meio a pressões políticas e a um cenário de inflação anual de 2,9% em agosto – acima da meta de 2% do Fed, mas estável abaixo de 3% desde meados de 2024. Em comunicado, o BC manteve tom cauteloso e afirmou que "avaliará cuidadosamente os dados recebidos" para decisões futuras, reforçando o compromisso com "emprego máximo e inflação de 2%".
Impactos globais e para o Brasil
O corte de juros nos EUA tende a ter os seguintes efeitos no Brasil:
- Fluxo de capitais: maior atratividade para investimentos em ações da Bolsa brasileira, especialmente em setores sensíveis ao crédito e ao consumo
- Câmbio: possível valorização do real frente ao dólar, reduzindo pressões inflacionárias importadas
- Renda fixa: oportunidades em títulos de longo prazo, com expectativa de menor fuga de capitais para ativos americanos
Tensão entre Trump e Powell
O corte ocorre em um contexto de críticas públicas recorrentes de Trump ao presidente do Fed, Jerome Powell, chamado por ele de "incompetente" e "atrasado". O presidente defende cortes mais agressivos e já sinalizou que não renovará o mandato de Powell – que termina em maio de 2026 –, com possíveis sucessores sendo articulados, como Kevin Warsh e Christopher Waller.
Contexto econômico
- Inflação: Índice de preços ao consumidor (CPI) ficou em 2,9% em agosto (base anual)
- Meta do Fed: 2% ao ano, patamar não atingido desde 2020
- Ciclo anterior: Três cortes consecutivos em 2024, antes da posse de Trump
A decisão do Fed reflete um equilíbrio entre dados económicos ainda resilientes e pressões políticas por estímulos, num ambiente de incerteza global. O mercado agora aguarda sinais sobre a trajetória futura dos juros, com atenção às próximas falas de Powell e aos indicadores de emprego e inflação.