31 de julho de 2025
Dengue

Dengue avança com mudanças climáticas e desafia saúde pública no Brasil

Entre agosto de 2024 e julho de 2025, mais de 3,6 milhões de pessoas estiveram em risco de contrair dengue

Por Redação
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Com mais de 36 milhões de doses aplicadas até 2025, o Brasil registrou 124 casos de anafilaxia - Foto: Reprodução

A dengue permanece como uma das principais ameaças à saúde pública no Brasil e em mais de 125 países, com expansão acelerada impulsionada pelas mudanças climáticas e pelo aquecimento global. No país, o número de municípios infestados pelo mosquito Aedes aegypti saltou de 1.753 em 1995 para 5.385 em 2024, segundo dados recentes.

Durante o 24º Congresso Brasileiro de Infectologia, realizado entre 16 e 19 de setembro em Florianópolis, a professora e médica infectologista Raquel Silveira Bello Stucchi, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), apresentou um panorama das vacinas disponíveis e em desenvolvimento contra a doença, destacando avanços e lacunas.

De acordo com a especialista, entre agosto de 2024 e julho de 2025, mais de 3,6 milhões de pessoas estiveram em risco de contrair dengue, com cerca de 2.700 mortes registradas a maioria delas no Brasil.

Atualmente, a única vacina aprovada no país é a Qdenga, produzida pela farmacêutica Takeda. Indicada para pessoas a partir de 4 anos, ela é recomendada especialmente para adolescentes de 6 a 16 anos em regiões endêmicas. Estudos conduzidos na Ásia com mais de 20 mil adolescentes mostraram eficácia global de 60% na prevenção de casos confirmados, com proteção mais elevada entre quem já teve contato prévio com o vírus.

A proteção contra hospitalizações também foi expressiva: 86% em indivíduos soropositivos e 76% nos soronegativos. No entanto, a médica alertou que a proteção da primeira dose começa a diminuir após 90 dias, reforçando a importância da segunda aplicação. “A baixa adesão à segunda dose é um dos maiores obstáculos para garantir uma imunização efetiva e duradoura”, afirmou Stucchi.

Com mais de 36 milhões de doses aplicadas até 2025, o Brasil registrou 124 casos de anafilaxia, todos controlados com sucesso. Também foram notificadas, de forma rara, ocorrências da síndrome de Guillain-Barré. Apesar disso, não houve mortes associadas à vacina. “Esses eventos exigem monitoramento contínuo, mas não alteram o perfil geral de segurança do imunizante”, destacou a professora.

Outra esperança no combate à dengue vem da vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan, ainda em fase de aprovação. Estudos preliminares apontam eficácia de 80% após dois anos e manutenção acima de 67% ao longo de três anos, sem registro de efeitos adversos graves. Os resultados são promissores, especialmente em crianças a partir de 7 anos.

Apesar dos avanços, Stucchi alerta que ainda há desafios a superar. “Precisamos de vacinas tetravalentes de dose única, de testes sorológicos mais confiáveis e de mais estudos voltados a idosos e pessoas com comorbidades”, concluiu.