31 de julho de 2025
Terra

Camada de ozônio apresenta sinais de recuperação e pode se restabelecer totalmente até 2066

Segundo o relatório, o buraco na camada de ozônio sobre a Antártida foi menor em 2024 do que nos anos anteriores

Por redação
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Com a recuperação da camada de ozônio aos níveis da década de 1980 - Foto: Foto: Arte Nasa

A camada de ozônio da Terra continua dando sinais positivos de recuperação, conforme apontado pelo Boletim de Ozônio de 2024, divulgado nesta terça-feira (16) pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), no Dia Mundial do Ozônio. A data também marca os 40 anos da Convenção de Viena, tratado que reconheceu a redução do ozônio estratosférico como um desafio ambiental global.

Segundo o relatório, o buraco na camada de ozônio sobre a Antártida foi menor em 2024 do que nos anos anteriores, resultado atribuído à ação científica e à cooperação internacional. A expectativa é de que, mantidas as políticas atuais, a recuperação total ocorra até 2066 na Antártida, 2045 no Ártico e 2040 no restante do planeta.

“O Protocolo de Montreal tornou-se um marco de sucesso multilateral. Hoje, a camada de ozônio está se recuperando. Essa conquista nos lembra que, quando as nações acatam os alertas da ciência, o progresso é possível”, afirmou o secretário-geral da ONU, António Guterres.

O Protocolo de Montreal, assinado em 1989, é um acordo internacional que determinou a eliminação da produção e uso de substâncias destrutivas ao ozônio, como os clorofluorcarbonetos (CFCs), usados em equipamentos de refrigeração, sprays e espumas industriais. De acordo com a OMM, mais de 99% dessas substâncias já foram banidas.

Com a recuperação da camada de ozônio aos níveis da década de 1980, espera-se uma significativa redução nos riscos de câncer de pele, catarata e danos aos ecossistemas provocados pela radiação ultravioleta.

A secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, destacou a importância da ciência para alcançar esse resultado. “A pesquisa científica da OMM sobre a camada de ozônio remonta a décadas. Ela é sustentada pela confiança, colaboração internacional e compromisso com a livre troca de dados – todos pilares do acordo ambiental mais bem-sucedido do mundo”, afirmou.

Buraco na Antártida foi menor em 2024

O boletim também detalha que o déficit máximo de ozônio sobre a Antártida, registrado em 29 de setembro de 2024, foi de 46,1 milhões de toneladas — abaixo da média do período entre 1990 e 2020, e menor que os níveis registrados entre 2020 e 2023.

Apesar do avanço, especialistas alertam que a vigilância deve continuar. “Apesar do grande sucesso do Protocolo de Montreal nas décadas seguintes, este trabalho não está concluído, e ainda há uma necessidade essencial de que o mundo continue monitorando sistematicamente e cuidadosamente tanto o ozônio estratosférico quanto as substâncias que destroem a camada de ozônio e seus substitutos”, afirmou Matt Tully, presidente do Grupo Consultivo Científico da OMM sobre Ozônio e Radiação UV.

Além do Protocolo de Montreal, a Emenda de Kigali, adotada em 2016 e já ratificada por 164 países, também contribui para o combate ao aquecimento global. A medida prevê a redução gradual dos hidrofluorcarbonetos (HFCs), gases de efeito estufa utilizados como substitutos dos CFCs. A ação tem potencial de evitar até 0,5°C de aumento na temperatura global até o fim do século.