PF apreende Ferrari, Rolls-Royce de R$ 11 mi e obras milionárias em operação contra advogado Nelson Wilians
Segundo a PF, além da Ferrari, duas Mercedes-Benz foram estacionadas no Pier 21, levantando suspeitas de tentativa de esconder patrimônio
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Com mais de 1,5 milhão de seguidores no Instagram e figura conhecida por palestras e viagens de luxo, o advogado Nelson Wilians foi alvo de mandados de busca e apreensão da Polícia Federal (PF) na sexta-feira (12), em São Paulo. Ele é investigado na Operação Cambota, desdobramento da Sem Desconto, que apura fraudes bilionárias em aposentadorias e pensões do INSS.
Na casa de Wilians, a PF apreendeu uma Ferrari, um Porsche, esculturas eróticas, obras que podem ser de Portinari e Di Cavalcanti, armas de fogo — incluindo um fuzil — e vinhos raros. Também foram recolhidos R$ 240 mil em espécie, US$ 20 mil e € 22,6 mil. Em Brasília, os agentes encontraram outros carros de luxo e dinheiro vivo.
Apreensões ainda incluíram um Rolls-Royce avaliado em R$ 11 milhões, quadros possivelmente de Tomie Ohtake e Di Cavalcanti, além de esculturas assinadas por Bruno Zach e Thomas Cartier. Especialistas ouvidos pela reportagem apontam que, caso confirmada a autenticidade, parte das obras pode ultrapassar R$ 5 milhões no mercado de arte.
Na mesma operação, foram presos o empresário Maurício Camisotti e Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, apontado como lobista e facilitador do esquema. Segundo a PF e a Controladoria-Geral da União (CGU), o grupo cadastrava aposentados em associações fictícias, com assinaturas falsas e sem autorização, para aplicar descontos indevidos nos benefícios. O prejuízo pode chegar a R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024.
Wilians, natural de Cianorte (PR), é fundador do Nelson Wilians Advogados (NWADV), já estampou capa da Forbes e foi advogado de Rose Miriam di Matteo na disputa judicial pela herança de Gugu Liberato. Ele também é CAC, com registro de mais de dez armas.
O que dizem as defesas
Em nota, a defesa de Nelson Wilians afirmou que ele “tem colaborado integralmente com as autoridades” e que sua relação com investigados é “estritamente profissional e legal”, destacando que os valores transferidos a Camisotti se referem à compra de um terreno vizinho à sua casa. “A medida cumprida é de natureza exclusivamente investigativa, não implicando qualquer juízo de culpa ou responsabilidade”, disse.
Já a defesa de Camisotti afirmou que sua prisão é arbitrária e que vai recorrer, alegando violação de garantias constitucionais.