CENIPA não investigará queda de avião com 180 kg de cocaína em Alagoas
O acidente ocorreu em um canavial de Coruripe. A aeronave, equipada com tanques extras de combustível, aparentava estar preparada para percursos de longa distância
Publicado em
O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA), da Força Aérea Brasileira (FAB), informou nesta segunda-feira (15) que não abrirá investigação sobre a queda do avião de matrícula ZU-IXM, ocorrida no último domingo (14), em Coruripe, no litoral sul de Alagoas. A aeronave transportava 180 kg de cocaína e era pilotada por um cidadão supostamente australiano, que morreu no acidente.
Em nota oficial, a assessoria de imprensa do Comando da Aeronáutica destacou que o CENIPA atua exclusivamente para prevenir acidentes aeronáuticos, conforme previsto no Código Brasileiro de Aeronáutica e no Decreto nº 9.540/2018. O órgão esclareceu que suas apurações não têm caráter punitivo e não buscam atribuir culpa, mas sim apontar fatores que possam contribuir para a segurança de voo.
Entretanto, de acordo com a legislação, o CENIPA pode deixar de instaurar ou interromper uma investigação em casos em que a aeronave esteja envolvida em atos ilícitos dolosos relacionados ao acidente ou quando a análise não contribuir para a prevenção de novos sinistros. Segundo o comunicado, pelo menos uma dessas hipóteses foi constatada no caso do avião em Alagoas, o que levou à decisão de não investigar.
O acidente ocorreu em um canavial de Coruripe. A aeronave, equipada com tanques extras de combustível, aparentava estar preparada para percursos de longa distância. O piloto, identificado como Timothy J. Clark, teria tentado realizar um pouso de emergência em uma estrada dentro do canavial, mas não conseguiu.
Todo o entorpecente foi encaminhado à sede da Polícia Federal, responsável pela investigação criminal que busca identificar a origem e o destino da droga. Os destroços do avião serão levados para o Aeroporto de Arapiraca, onde ficarão sob custódia até decisão da Justiça Federal sobre sua destinação.
Sistema de autoabastecimento
O portal Francês News procurou o Departamento Estadual de Aviação (DEA) para confirmar que se o avião possuía um sistema de autoabastecimento, o que reforçaria a tese de que o avião estaria percorrendo longas distâncias, possibilitando a travessia do oceano atlântico de uma só vez.
A reportagem aguarda retorno do DEA, mas foi informado que uma aeronave que foi doada ao Departamento possui sistema semelhante, com tanques de combustível embutidos nas asas do avião, justamente para dar mais autonomia aérea ao veículo.