31 de julho de 2025
Governo

Governo Lula acelera liberação de emendas durante julgamento de Bolsonaro no STF

Mais de R$ 3 bilhões foram pagos em meio à tentativa do Planalto de conter avanço do Centrão sobre proposta de anistia

Por Redação
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Luiz Inácio Lula da Silva (PT) - Foto: Ricardo Stuckert/PR

Durante as duas semanas do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no Supremo Tribunal Federal (STF), o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acelerou significativamente a liberação de emendas parlamentares. O objetivo, segundo analistas políticos, é reforçar o apoio no Congresso e frear o avanço da proposta de anistia aos envolvidos na tentativa de golpe de Estado em 8 de janeiro.

Ao todo, o Executivo liberou R$ 3,2 bilhões em emendas, sendo R$ 2,3 bilhões apenas na terça-feira (9/9) dia em que o STF retomou a votação do caso. Esse montante representa o maior volume liberado em um único dia em 2025, superando os repasses que vinham ocorrendo de forma mais controlada ao longo do ano.

Segundo dados do Portal da Transparência, analisados o valor pago no dia 9 é o nono maior da série histórica nominal (sem correção pela inflação). O recorde segue com os R$ 5,8 bilhões pagos em 13 de dezembro de 2024.

Apoio estratégico no Congresso

Dos R$ 3,2 bilhões pagos, R$ 2,9 bilhões (91,3%) correspondem a emendas individuais, geralmente utilizadas por parlamentares para ações em suas bases eleitorais. O restante foi dividido entre emendas de bancadas estaduais (R$ 142 milhões), comissões temáticas (R$ 80,8 milhões) e do relator do Orçamento (R$ 60,2 milhões), incluindo recursos do antigo e do novo “orçamento secreto”.

A movimentação ocorre no momento em que o governo tenta barrar o avanço de setores do Centrão e da oposição em torno da proposta de anistia aos envolvidos nos atos golpistas. Há preocupação de que o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), venha a pautar o projeto em plenário.

Motta, que tem resistido à ideia de anistia, enfrenta dificuldades para manter o controle da pauta na Casa, dada sua desconexão com parte do Centrão, grupo político ao qual historicamente esteve ligado. O Planalto, por sua vez, busca fortalecer a posição de Motta, contando com sua articulação para ajudar a enterrar de vez o projeto de anistia.

Derrotas recentes e articulação reativa

O represamento das emendas ao longo do ano causou desconforto na base aliada e contribuiu para reveses recentes, como na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, onde uma articulação entre oposição e Centrão surpreendeu o governo e derrotou os indicados do Planalto para a presidência e relatoria do colegiado.

Agora, com a liberação expressiva de recursos, o governo tenta recompor sua base, melhorar o ambiente político e garantir votos suficientes para barrar iniciativas que coloquem em risco sua agenda no Congresso.