Eduardo Bolsonaro pede para exercer mandato de deputado federal dos EUA; presidente da Câmara já rejeitou ideia
Hugo Motta já afirmou que não há previsão regimental para "mandato à distância" e encaminhou processo de cassação do deputado ao Conselho de Ética
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O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) formalizou um pedido ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para exercer seu mandato remotamente dos Estados Unidos. No ofício, divulgado em suas redes sociais, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro alega realizar "diplomacia parlamentar" no país e cita as regras de trabalho remoto adotadas durante a pandemia de covid-19 como um "precedente claro" para a autorização.
"Não se pode admitir que o que foi assegurado em tempos de crise sanitária deixe de sê-lo em um momento de crise institucional ainda mais profunda", argumentou Eduardo no documento.
O parlamentar está nos EUA desde o início de 2025 e, em março, pediu licença do mandato. Na ocasião, anunciou que permaneceria no país para buscar "sanções aos violadores dos direitos humanos", em referência direta ao ministro do STF Alexandre de Moraes e outras autoridades.
O pedido ocorre em um momento de tensão. Neste mês, Eduardo e Jair Bolsonaro foram indiciados pela Polícia Federal pelos crimes de tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito e coação no curso do processo. A PF apura que o deputado estimulou sanções internacionais contra o Brasil para constranger a Justiça no caso em que seu pai é réu por tentativa de golpe.
A posição de Motta sobre o assunto já é conhecida. Em entrevista ao portal Metrópoles em agosto, o presidente da Câmara foi categórico: “Não há previsibilidade para exercício do mandato à distância. Não há previsão no regimento para isso”. Em outra ocasião, à revista Veja, Motta criticou parlamentares que "trabalham para que medidas cheguem ao seu País de origem e que tragam danos à economia".
No dia 15 de agosto, Hugo Motta encaminhou ao Conselho de Ética um processo de cassação do mandato de Eduardo Bolsonaro. A decisão foi tomada após o deputado, em várias ocasiões, ameaçar incluir o próprio presidente da Câmara em sua lista de alvos para sanções internacionais caso um projeto de anistia aos réus de 8 de Janeiro não fosse pautado.