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    Organizações internacionais criticam sanções dos EUA contra ministro do STF

    HRW dizem que medidas interferem na independência do Brasil

    há 29 dias
    Organizações internacionais criticam sanções dos EUA contra ministro do STF

    A Human Rights Watch (HRW) manifestou preocupação nesta quarta-feira (30) com as medidas adotadas pelo governo dos Estados Unidos contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e as novas tarifas impostas às exportações brasileiras. Segundo a entidade, as ações representam uma interferência na independência judicial e na soberania do Brasil.


    A HRW afirmou que as sanções contra um ministro do STF e as barreiras comerciais são "uma clara violação da independência judicial, pilar da democracia". A organização destacou que, em caso de discordância com decisões judiciais, o governo norte-americano deveria recorrer a mecanismos diplomáticos e jurídicos, e não impor "punições a ministros e ao país".


    A Transparência Internacional – Brasil também se posicionou, classificando como "alarmante e inaceitável" o uso seletivo da Lei Magnitsky para fins políticos e econômicos. A entidade alertou que a medida pode "fomentar mais instabilidade política no Brasil", especialmente por Moraes ser o relator de processos envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro.


    A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) expressou apoio ao ministro, afirmando que as sanções são uma "afronta à soberania brasileira e aos valores democráticos". A entidade ressaltou que "ações que visam deslegitimar ou intimidar figuras públicas essenciais ao Estado de Direito" são inaceitáveis.


    As sanções, baseadas na Lei Magnitsky, preveem o bloqueio de contas, ativos e proibição de transações com empresas americanas, além do veto à entrada nos EUA. No entanto, o impacto prático deve ser mínimo, já que Moraes não possui bens ou contas nos EUA e raramente viaja para o país.


    Esta é a segunda punição aplicada contra o ministro pelo governo Trump. Em 18 de julho, o secretário de Estado Marco Rubio anunciou a revogação de vistos para Moraes, familiares e aliados na Corte. A decisão ocorreu após o ministro abrir inquérito contra o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), investigado por suposta atuação junto ao governo americano para promover retaliações contra o STF.


    Eduardo Bolsonaro havia pedido licença do mandato em março e se mudou para os EUA, alegando perseguição política. A licença terminou em 20 de julho, mesmo período em que as tensões entre os governos brasileiro e americano se intensificaram.


    Foto: Alan Santos/PR

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