Bolsonaro em prisão domiciliar; entenda a situação jurídica e as restrições do ex-presidente

    Ministro Alexandre de Moraes restringe contatos e apreende celulares do ex-presidente; defesa nega violação de regras

    há 24 dias
    Bolsonaro em prisão domiciliar; entenda a situação jurídica e as restrições do ex-presidente

    O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta segunda-feira (4) a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por descumprimento de medidas cautelares impostas em julho. Entre as violações, Moraes citou o uso indireto de redes sociais por meio de aliados, incluindo postagens feitas por seus filhos, como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).


    O que levou à prisão domiciliar?


    Segundo o ministro, Bolsonaro teria incentivado ataques ao STF e apoiado "intervenção estrangeira no Judiciário brasileiro". Um dos exemplos foi um vídeo divulgado no perfil de Flávio Bolsonaro, em que o ex-presidente enviou mensagem a apoiadores em um ato no Rio de Janeiro. A publicação foi removida horas depois, mas Moraes considerou o ato uma "transgressão legal".


    As medidas cautelares originais, impostas em 18 de julho, incluíam:


    • Uso de tornozeleira eletrônica;


    • Proibição de sair de casa à noite e nos fins de semana;


    • Restrição de contato com outros investigados;


    • Vedações ao uso de redes sociais, mesmo por terceiros.


    Apesar disso, Bolsonaro apareceu em vídeos de aliados, exibiu a tornozeleira e participou de manifestações por telefone, o que, para Moraes, justificou medidas mais duras.


    Relação com os EUA e acusações de extorsão institucional


    O caso ganhou novos contornos após o presidente americano Donald Trump anunciar tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, em uma medida vista como retaliação ao tratamento dado a Bolsonaro no Brasil. O ministro do STF considerou que o presidente tentou uma "extorsão institucional" ao vincular o fim das sanções a uma possível anistia judicial.


    A Procuradoria-Geral da República (PGR) alertou para riscos de fuga e danos às instituições, reforçando a necessidade da prisão domiciliar.


    Situação jurídica de Bolsonaro: processos e inelegibilidade


    Além desta decisão, Bolsonaro enfrenta:


    • Ação penal no STF por tentativa de golpe de Estado, com julgamento previsto para setembro;


    • Inelegibilidade até 2030, decretada pelo TSE por abuso de poder político em eventos oficiais;


    • Outras investigações, como disseminação de fake news, interferência na PF e uso indevido da Abin.


    A defesa do ex-presidente nega qualquer descumprimento das regras e recorre das decisões no STF. O caso segue em desenvolvimento, com possíveis novos desdobramentos nas próximas semanas.


    Foto: Ton Molina/STF

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