Por Redação
Em meio ao caos que dominou a Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (6), o alagoano Arthur Lira (PP-AL) consolidou seu papel de principal articulador político da Casa. Enquanto parlamentares bolsonaristas ocupavam o plenário em protesto contra a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro, foi ao ex-presidente da Câmara que líderes do Centrão e da oposição recorreram para negociar uma solução.
A crise começou quando deputados de direita impediram fisicamente o atual presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), de assumir a mesa diretora. Em reuniões fechadas no gabinete de Lira, partidos como PP e União Brasil costuraram um acordo: em troca da desobstrução, garantiriam apoio à anistia dos envolvidos nos atos de 8 de janeiro e ao projeto que limita o foro privilegiado - medidas que enfraqueceriam o STF.
O processo de negociação revelou a atual dinâmica de poder na Câmara: Motta precisou de quase 5 minutos para atravessar o plenário e chegar à presidência e a sessão foi aberta sem votação de matérias, apenas com discurso conciliador. Lira atuou nos bastidores como "bombeiro institucional" da crise.
"Vivemos uma série de acontecimentos recentes que geraram um sentimento de ebulição nesta casa. É comum? Não. Estamos em tempos normais? Também não. Mas é justamente nesses momentos que não podemos negociar nossa democracia e o que esta casa representa: a capacidade de dialogar, de enfrentar os debates necessários e de permitir que a maioria se estabeleça", afirmou Motta ao abrir os trabalhos, evitando mencionar punições aos manifestantes.
A postura contrastou com suas ameaças anteriores de suspender mandatos, que não se concretizaram diante da resistência dos bolsonaristas.
Foto: Vinicius Loures / Câmara dos Deputados